Em 2025 passei por muitas mudanças em como me organizo, tanto por motivos pessoais quanto profissionais. Nós queremos sempre estar melhorando como pessoas, e meu lado viciado em internet sempre me faz ler artigos ou assistir vídeos que me guiam nesse sentido. Meu desafio no consumo desse conteúdo é o de balancear esse peso que nos é passado de ser um gestor de si - em que temos sempre que estar bem organizados e produtivos - com os desafios e prazeres que a vida nos dá, balanceando hobbies mais ligados à tecnologia e/ou programação com os hobbies mais culturais como leituras, estudos, assistir filmes e principalmente o tempo de qualidade com a família.

Nesse período existiram dois fatores principais que me guiaram a rever alguns pontos da minha relação com o que faço no dia-a-dia.

Agilidade nas ferramentas de trabalho

Como desenvolvedor, sempre tive de ficar atento em várias ferramentas ao mesmo tempo: IDEs, ambiente produtivo, mensagens importantes no slack, e-mails com fornecedores/parceiros, ferramentas de organização do time (Jira) e ficar de olho vez ou outra no GitHub para acompanhar o trabalho do time. No começo do ano atuava como tech lead de um time de engenheiros de dados, e isso foi evoluindo aos poucos até que me tornei coordenador deste time no fim do ano.

Pelo fato do time ter vários contextos distintos, com vários projetos-legado, sempre tivemos de ficar atentos a vários repositórios distintos. Fazer a troca entre eles sempre foi uma dificuldade, seja ao navegar pelo GitHub ou seja trocando de projeto na IDE.

Uma primeira ferramenta que me ajudou a acelerar o acesso aos projetos e a alguns outros pontos foi o Raycast. Ele me possibilitou criar os chamados “quicklinks” e com algumas teclas eu rapidamente tenho acesso aos principais repositórios e páginas do time - o Raycast abre o browser com o link/projeto configurado. Além disso, ele é um launcher super customizado que me permite integrar várias ferramentas como o Google Agenda, customizar atalhos globais (facilitando inclusive o pobre window-management do MacOS) e até controlar minha casa com a integração do Home Assistant.

A segunda grande mudança nas ferramentas de trabalho, foi a de tentar melhorar o ambiente de código em si, a minha IDE. Pela alta quantidade de projetos que trabalhei simultaneamente, sempre tinha que ficar mudando de contexto, abrir novas janelas do VSCode ou do Pycharm. Mudei isso para trabalhar em um único workspace do VSCode com todos projetos como dentro dele. Isto foi um desafio no começo pelo fato de ter vários repositórios Git no mesmo workspace, como também por trabalhar com versões distintas de Python, o que foi se ajustando com o tempo. O grande trunfo dessa mudança veio com a adoção que tivemos de ferramentas de inteligência artificial: com essa abordagem, podia com um único prompt pedir ajuda para orientar pessoas em vários contextos ao mesmo tempo, ajudando inclusive na padronização de código e documentação nos projetos.

Melhor controle do sistema operacional

Como já falado, o Raycast foi uma ferramenta que me ajudou em vários sentidos, mas aqui quero destacar um ponto: agilidade na troca de ferramenta. Vi que com certos atalhos de teclado, poderia ao longo do tempo acabar com o uso do command/alt-tab, ou seja, ficaria menos perdido na navegação das ferramentas.

Como exemplo, digamos que minhas ferramentas principais no sistema operacional são o browser, uma IDE, o slack e um terminal. Vi que no Raycast é possível criar atalhos a partir de uma “tecla” chamada pela comunidade de Hyper (command+shift+option+ctrl ou windows+shift+alt+ctrl). Com isso, tentei criar esses atalhos aproveitando a disposição do teclado, ligando essas ferramentas aos atalhos hyper+{a|s|d|f}. Isso acelerou bastante como troco entre essas ferramentas e com pouco tempo passei a usar bem menos a troca de janela do sistema operacional.

Mas aí me deixa com um outro problema, apertar o conjunto de teclas para o Hyper requer contorcer minha mão inteira. Estudei como desenvolvedores resolvem esse problema, e vi que o Raycast até ajuda com isso ao substituir a tecla caps lock pela combinação do hyper. Acontece que além do meu computador de trabalho, uso bastante um computador pessoal com Windows. Até pouco tempo atrás essa experiência com o Raycast era impossível - a versão Windows foi liberada entre novembro e dezembro de 25.

Uma ferramenta que me veio para me ajudar com essa mudança de organização foi mudar uma coisa que está na frente de nós todos que trabalhamos com computadores: o teclado. Aqui comecei a buscar e estudar mais sobre teclados ergonômicos. Há muito tempo já conhecia o Moonlander, e ainda hoje não tenho a coragem de pagar o preço que pedem nele (365 USD!!).

Entrei em algumas comunidades que falavam desse tipo de teclado, e vi que a melhor opção seria a de montar/imprimir um teclado. Eu até teria as ferramentas pra isso, mas não muito conhecimento técnico da parte de hardware - arriscaria até mesmo na soldagem, mas com muito receio de queimar uma placa que demoraria meses para chegar aqui. Haviam duas opções para isso: pedir pra alguém fazer isso por mim, ou comprar um pré-montado da China; fui pela segunda.

A mudança de teclado foi algo que me custou muito na primeira semana, mas já na segunda estava mais confortável e ajustando as configurações para que ele melhor me sirva. Hoje, ter uma tecla exclusiva para o hyper sem nenhuma configuração no sistema operacional é algo que facilita bastante meu trabalho, inclusive na interoperabilidade entre sistemas mac/windows/linux.

Toda essa mudança está sendo bem satisfatória, e para quem gosta de trabalhar com computadores é sempre um bom estímulo se colocar de volta no patamar zero de um desafio que sequer você se imaginaria passar novamente - usar um teclado é alto muito natural para nós, se reimaginar gastando tempo aprendendo a usar um teclado novamente parece beirar a loucura. Sair da zona de conforto é um dos hábitos mais controversos para mim, mas é o que me faz evoluir e melhorar para ser um melhor profissional. Revisitar conceitos antigos que estavam postulados na minha caminhada é um impulso muito compensatório. Que 2026 venha com novos hábitos, desafios e melhorias na minha relação com meu trabalho.